sábado, 28 de abril de 2018

Montemuro - Vale do Bestança

Nunca o verde se enamorou tanto de mim como neste Vale do Bestança. A serra estava engalanada, as aldeias viviam ainda. Ao longo destes mais de 23km, e 1465m de trepadela acumulada, visitando 6 aldeias, o rio, (dos mais limpos da Europa), pujante, quase sempre a ouvir-se, entoava o hino à primavera, sempre a correr para o Douro. O cume desta região, na Serra de Montemuro, de seu nome ´Talegre´ (ponto mais elevado do distrito de Viseu), quase a bater nos respeitáveis 1400m de altitude, vigia tristonho o infeliz destino de estar acompanhado desses corpos estranhos de metal a girar e a assobiar, atravancando as vistas que, de outro modo seriam extraordinárias. Silêncio e animais fogem dali, estradões rasgam o santuário profanado, e o grito da liberdade no bico de uma águia real, ficará apenas num imaginário que... não aconteceu. Salva-se a conveniente contrapartida para as aldeias locais... mas a que preço...a que preço. Terá de haver outra solução...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Circunvalação do Vale da Mata do Cabril

Um dia especial. Especial pela equipa, pela ambição, pela vontade irreversível de abraçar o desconhecido. Especial pelas muitas horas de planeamento e de colaboração, e especial pelo esforço físico que seria incontornável. Especial pela dureza, pelas descobertas e pela conquista de mais uma página especial do pedestreanismo...a circunvalação do Vale da Mata do Cabril, e claro, sem recurso a estradões.
No total 23km, abrangendo uma área de cerca de 13km2  e mais de 1400m de desnível acumulado.


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Roca de Pias - Serra do Gerês

Uma bela volta de 15km por zonas bem conhecidas da Serra do Gerês, com um extra de, calcar pela primeira vez o trilho bastante inclinado que leva da Roca de Pias( ou Cutelo) até ao Rio Conho/Entre-Águas. Embora a descida seja para um caminhante experiente, relativamente fácil de seguir, poderá desencorajar outros por causa do declive bastante acentuado. Existem mariolas ao longo de todo o trajecto no entanto. As vistas para o vale do Conho são predilectas e do cimo da Roca, se avista para norte todo o enquadramento do Prado da Roca Negra e Rocalva...os dois guardiões maiores. Para sul, o Vale do Conho...


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

LAROUQUINHO: O CONGELADOR

Aventura por terras barrosãs, para subir desde a bela aldeia de Gralhas(1000m) até ao Larouquinho(1535m), o terceiro mais alto cume de Portugal continental, apenas uns metros mais baixo que o Pico da Nevosa, o mais alto do Norte de Portugal e da Serra do Gerês. Esta montanha é fácil de subir ( mesma sem carro) por isso, neste dia que escolhemos para a trepar, acreditámos que o desafio seria muito maior pela possibilidade de haver neve e frio. Um percurso evitando todas as estradas, circular de 14km.

Dificuldade nestas condições? vejam por vocês...




sábado, 2 de dezembro de 2017

Germil - Casarotas - Cortinhas - Cutelo

Nada como calcar a Serra Amarela para ver as botas render. Neste dia solarengo de verão, este belo percurso circular, já relativamente conhecido, de 16km de extensão, atinge cota máxima nos 1200m nas casarotas, e permite vários registos de paisagem e interesse, desde as belas aldeias, até lá ao cimo, de onde se pode ver bem perto a Louriça, e muito do mundo do parque nacional, onde estas casarotas ajudam a envolver ainda mais a serra de mistério. Antiga branda, ou postos de defesa, este é um lugar especial, onde outros antes de nós, por lá passaram.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Ribeiro do Penedo

Antes que a memória se apague do meu corpo ferido do mal da altitude e tudo o que isso trouxe de bem, aqui ficam algumas fotos de um intenso dia de dura montanha a rejeitar esses corpos estranhos que somos nós...os humanos. 

Chã de Susana - Vale do Ribeiro do Penedo - Currais de Matança - Abrigo da Teixeira - Corgo de Lamalonga - Lajes dos Bois



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Por terras de Fafião - Corga do Salgueirinho

Percurso: Fafião - Touça - Corga do Salgueirinho - Velas Brancas - Coucão- Valongo - Amarela - Bicos Altos - Matança - Fafião
Distância: 20km

Dia perfeito para uma incursão pela Serra do Gerês, com o objectivo maior: ligar a Touça Às Velas Brancas, pela Corga do Salgueirinho. Finalmente temperaturas baixas como assim deve ser para andar melhor: geada matinal.





Antes de lá chegar, passámos pelo Porto da Laje, onde é possivel testemunhar a enorme zona queimada, em toda a encosta por baixo do Alto de Palma, e subindo do outro lado até quase ao cimo de Porta Ruivas. Um cenário negro retinto, que só não choca mais, por respeito para com todas as pessoas que perderam a vida nos últimos meses, vítimas do fogo.





A Corga do Salgueirinho tem como guardião maior, a imponente Pála do Coucão. A Corga é percorrida por um ribeiro repleto de pequenas lagoas, ladeadas por azevinhos e azevinhas, teixos ancestrais, carvalhos, prados e alguns testemunhos da presença humana: portelos e cercados. Alguns abrigos naturais também se encontram, mas, essencialmente é zona onde por força das inclinadas paredes que se elevam acima da corga, o homem antigo não quisesse construir aí abrigo, por medo de pedras rolantes, e/ou por ali bem perto, o Curral da Touça fosse apoio suficiente. Isto são apenas teorias possíveis, enquanto não haja certezas maiores. Uma coisa é certa, a corga é muito bela e à medida que se sobe e a inclinação fica maior, as espéçíes arbóreas são mais densas e antigas. Após uma boa trepadela, o cimo finalmente...almoço no miradouro das Velas Brancas para comtemplar muito da serra. Infelizmente também se avistava terra queimada na Corga de Valongo.



Nota final para a água, que jorra das fontes e ribeiros...um sinal de esperança,que não esperava ver tão forte. Maravilha.





Algumas imagens do dia e um abraço ao Alberto Pereira, companheiro de viagem, à Mónica que tratou da logística gastronómica que tão bem tratada estava,  e á minha mulher que foi valente e guerreira, num percurso difíçil. A ela dedico este verso:

"Retorno a casa como um lobo refeito
Quase saciado desse amor tão teu
Que se espalha por mim a sair do peito
Que não fenece...neste coração meu."

Cumplicidade entre reinos: mineral e vegetal