quinta-feira, 11 de outubro de 2018

LOS URRIELES DAY THREE - TORRE CERREDO

Depois de nos dois anteriores posts deste blog, ter descrito os  primeiros dias desta incursão no maciço central do Parque Nacional dos Picos da Europa, ou Urrieles, chegou a altura de escrever sobre o terceiro e último capítulo desta trilogia. 

Atingir o cume da torre mais alta dos Picos da Europa, podia ser uma tarefa fácil, como haverá tantos cumes bem mais altos e mais fáceis...não é o caso. O terceiro dia será bem duro, e em cima dos anteriores. O segredo é saber sofrer, com um sorriso na cara, e com boa disposição. Vamos lá de assalto ao castelo do Sauron.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

LOS URRIELES - DAY TWO - PEÑA VIEJA

Depois de um primeiro dia com muitos kms num dos piores terrenos para caminhar, e uma noite para recuperar o possível, cá vamos nós de volta ao trabalho. Desta vez os objetivos são conquistar o cume do Peña Vieja, o mais alto da Cantábria, que está totalmente inserido nesse território, e também, apesar de não ser um cume, a Collada Bonita, nos 2382m, de onde se avista pelo Este, esse símbolo do parque que é o Pico Urriellu. 

11km, 1112m desnível acumulado, Alt máx: 2617
Desnível máx: 74%

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

LOS URRIELES - DAY ONE - TORRE BLANCA

Ainda no fim da madrugada, a silhueta do km vertical, ergue-se imponente diante de nós, como uma primeira barreira para muitos intransponível. Não fora a existência do teleférico que em Fuente Dé, avança de 5 em 5 minutos os que quiserem saltar este obstáculo, geralmente para ir á estação superior ver as vistas ou, ir simplesmente passear até à cabana Verónica, terão de avançar um desnível absurdo em pouca distância. Esta segunda opção foi a nossa. Mochilas carregadas para um dia de actividade no incrível maciço dos Urrieles.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

PICOS DA EUROPA - Uma nova ordem de Grandeza

O Maciço Central do Parque Nacional dos Picos da Europa, localizado entre as províncias de León, Cantábria e Astúrias, é para alguém como eu que cresceu habituado principalmente ao  registo Geresiano, um cenário que me obriga a rever a minha própria dimensão como amante do pedestrianismo e montanhismo...rever para baixo. Especialmente depois de verificar in loco, o grande diferencial de cultura montanhesa que separa os dois países ibéricos.

Apesar de em 2017 esta mesma equipa Tuga se ter atirado com sucesso, em três dias seguidos, aos mais elevados cumes do espectacular parque de Fuentes Carrionas, casa de uma das mais difíceis montanhas Ibéricas, que dá pelo nome de "El Espigüete", as dificuldades que também o Curavacas e o Peña Prieta nos colocaram, foram, olhando a esta distância, apenas um passo feliz para nos aproximar daquilo a que nos propusémos alcançar nesta outra terra de Los Urrieles, um pouco mais acima, no reino do deserto da pedra infinita, da cascalheira interminável, da secura e do desterro, dos desníveis absurdos e progressão penosa. O olho de Sauron, desde a torre cimeira, mirou surpreendido a chegada destes três pequenos hobbits portugueses, que adentrando pela primeira vez este domínio,  valentemente armados de um simples coração apaixonado e do anel da amizade, conseguiram ao fim de três dias conquistar não só o sexto e sétimo mais altos cumes dos mais de 250 acima dos 2000m que por lá existem, como também a mais alta de todas, de onde o vilão maior vigia atento tudo abaixo de si. 

Dedico estas conquistas em forma de agradecimento, às nossas mulheres que são aquelas que ficando de fora, nos dão força e possibilidade de viajar nesta paixão.



Destes três dias que irei publicar em separado proximamente, ficam apenas alguns marcos de uma jornada única no assalto à fortaleza:


Canal da Jenduda
Torre Blanca 2619m
Vega de Liordes - Tornos de Liordes
Peña Vieja 2617m
Collada Bonita 2382m
Torre Cerredo 2650m


Os hobbits tugas, Alberto(www.trilhosanorte.blogspot.com), Jorge(www.cabradogeres.blogspot.com) e Alexandre



to be continued...




domingo, 23 de setembro de 2018

VAI MEU FILHO, E NÃO OLHES PARA TRÁS.

Após uma noite algo mal dormida, na traseira da carrinha, por culpa de dois ridículos galos senis que desataram à desgarrada pelas 4h da manhã, o largo do cruzeiro em Cabril, no concelho de Montalegre, serviu de arranque para uma página ímpar nas minhas aventuras montanheiras que, normalmente faço acompanhado... mas desta vez não.

Às 6h13 ainda de noite, meti botas ao caminho atravessando a ponte pedonal de frontal munido, em direção a essa paredona impressionante que dá pelo nome de Surreira do Meio Dia...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

GABI, TULI, ROCA NEGRA - SERRA DO GERÊS

Portanto, lá fomos até à Roca Negra(1386m), trepar aquilo e verificar se as vistas se mantinham em conformidade. O percurso é já um clássico para mim, mas o Gabi, não conhecia, por isso...ao trabalho. 

De notar que a fiel Tuli apenas á pouco tempo, subiu ao Pico da Nevosa, e agora à bem mais difícil Roca Negra...bicho.

Quanto ao Gabi, usufruiu  de uma rara experiência para a maioria das pessoas...contemplar lá do alto, a imensidão do Mundo da Alma.

Ficam algumas imagens de um dia bem agradável apesar de um bocado quente demais para o meu gosto.

domingo, 26 de agosto de 2018

MAGRO, RASO, GORDO...BELEZA A CÂNTAROS.

Partindo do Covão d´Ametade(1393m), o objectivo era conquistar os três cântaros num mesmo dia: Magro(1928m), Raso(1916m), e Gordo(1875m). Pelo meio, ainda foi possível alcançar o ponto mais alto de Portugal continental, na Torre. 

Foi possível fazer isso num trilho muito exigente, e apenas recomendável a praticantes com experiência. Com desníveis e declives grandes, e terreno muito acidentado em várias partes, cumeadas, com mato e alguns passos aéreos impróprios para pessoas com vertigens, pode dizer-se que foi um trilho de encher a barriga de qualquer montanheiro exigente e, perto do final ainda com direito a refresco na Lagoa dos Cântaros.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

RAFA, TULI - NEVOSA - SERRA DO GERÊS

No meio deste quente agosto, lá se arranjou um dia mais fresco para dar corda às botas e ir treinar para a serra, acompanhado pelo Rafael e pela Tuli, que eram estreantes na visita ao ponto mais alto da serra do Gerês e do norte de Portugal. A Tuli ainda a recuperar de uma intervenção cirúrgica estava com fome de  monte...que foi coisa que não lhe faltou hoje. Chegar à Nevosa vindo donde seja, é sempre uma boa estirada, e neste caso, acrescida pelo desenho do percurso:

Subida do Ribeiro da Abelheira, Biduiça, Subida do Corgo das Lamelas até á fronteira, Chegada ao Pico da Nevosa pelo lado espanhol, Garganta das Negras até ao Alto das Eiras, Descida final para o carro.Total: 18km e 1225m de desnível acumulado. Parabéns ao Rafa e à Tuli pela conquista montanheira.


segunda-feira, 23 de julho de 2018

GERÊS PROFUNDO - CINCO CUMES

Para quem já anda na serra à algum tempo, o termo "Gerês profundo" é usado com alguma frequência. Após meses de jejum de serra, finalmente e ansiosamente consegui lá voltar, e, como a "fome é negra", junto com o meu habitual parceiro de crime, o Alberto Pereira, desta vez acredito termos tocado naquela que actualmente poderá ser uma das zonas mais intocadas pelos pés montanhistas, o tal Gerês profundo. Sendo assim, para que a jornada se tornasse ainda mais significativa, decidimos atacar 5 cumes no trajecto desenhado, que em cerca de 22,5km percorridos em dia de calor, testaram a nossa capacidade de sofrimento, e baixa de forma. +1400m de ascensão acumulada, porque há que treinar para desafios maiores. 


sábado, 28 de abril de 2018

MONTEMURO - VALE DO BESTANÇA

Nunca o verde se enamorou tanto de mim como neste Vale do Bestança. A serra estava engalanada, as aldeias viviam ainda. Ao longo destes mais de 23km, e 1465m de trepadela acumulada, visitando 6 aldeias, o rio, (dos mais limpos da Europa), pujante, quase sempre a ouvir-se, entoava o hino à primavera, sempre a correr para o Douro. O cume desta região, na Serra de Montemuro, de seu nome ´Talegre´ (ponto mais elevado do distrito de Viseu), quase a bater nos respeitáveis 1400m de altitude, vigia tristonho o infeliz destino de estar acompanhado desses corpos estranhos de metal a girar e a assobiar, atravancando as vistas que, de outro modo seriam extraordinárias. Silêncio e animais fogem dali, estradões rasgam o santuário profanado, e o grito da liberdade no bico de uma águia real, ficará apenas num imaginário que... não aconteceu. Salva-se a conveniente contrapartida para as aldeias locais... mas a que preço...a que preço. Terá de haver outra solução...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

CIRCUNVALAÇÃO DO VALE DA MATA DO CABRIL

Um dia especial. Especial pela equipa, pela ambição, pela vontade irreversível de abraçar o desconhecido. Especial pelas muitas horas de planeamento e de colaboração, e especial pelo esforço físico que seria incontornável. Especial pela dureza, pelas descobertas e pela conquista de mais uma página especial do pedestreanismo...a circunvalação do Vale da Mata do Cabril, e claro, sem recurso a estradões.
No total 23km, abrangendo uma área de cerca de 13km2  e mais de 1400m de desnível acumulado.


sábado, 3 de fevereiro de 2018

ROCA DE PIAS - SERRA DO GERÊS

Uma bela volta de 15km por zonas bem conhecidas da Serra do Gerês, com um extra de, calcar pela primeira vez o trilho bastante inclinado que leva da Roca de Pias( ou Cutelo) até ao Rio Conho/Entre-Águas. Embora a descida seja para um caminhante experiente, relativamente fácil de seguir, poderá desencorajar outros por causa do declive bastante acentuado. Existem mariolas ao longo de todo o trajecto no entanto. As vistas para o vale do Conho são predilectas e do cimo da Roca, se avista para norte todo o enquadramento do Prado da Roca Negra e Rocalva...os dois guardiões maiores. Para sul, o Vale do Conho...


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

LAROUQUINHO: O CONGELADOR

Aventura por terras barrosãs, para subir desde a bela aldeia de Gralhas(1000m) até ao Larouquinho(1535m), o terceiro mais alto cume de Portugal continental, apenas uns metros mais baixo que o Pico da Nevosa, o mais alto do Norte de Portugal e da Serra do Gerês. Esta montanha é fácil de subir ( mesma sem carro) por isso, neste dia que escolhemos para a trepar, acreditámos que o desafio seria muito maior pela possibilidade de haver neve e frio. Um percurso evitando todas as estradas, circular de 14km.

Dificuldade nestas condições? vejam por vocês...




sábado, 2 de dezembro de 2017

GERMIL - CASAROTAS - CORTINHAS - CUTELO

Nada como calcar a Serra Amarela para ver as botas render. Neste dia solarengo de verão, este belo percurso circular, já relativamente conhecido, de 16km de extensão, atinge cota máxima nos 1200m nas casarotas, e permite vários registos de paisagem e interesse, desde as belas aldeias, até lá ao cimo, de onde se pode ver bem perto a Louriça, e muito do mundo do parque nacional, onde estas casarotas ajudam a envolver ainda mais a serra de mistério. Antiga branda, ou postos de defesa, este é um lugar especial, onde outros antes de nós, por lá passaram.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

RIBEIRO DO PENEDO - SERRA DO GERÊS

Antes que a memória se apague do meu corpo ferido do mal da altitude e tudo o que isso trouxe de bem, aqui ficam algumas fotos de um intenso dia de dura montanha a rejeitar esses corpos estranhos que somos nós...os humanos. 

Chã de Susana - Vale do Ribeiro do Penedo - Currais de Matança - Abrigo da Teixeira - Corgo de Lamalonga - Lajes dos Bois



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Por terras de Fafião - Corga do Salgueirinho

Percurso: Fafião - Touça - Corga do Salgueirinho - Velas Brancas - Coucão- Valongo - Amarela - Bicos Altos - Matança - Fafião
Distância: 20km

Dia perfeito para uma incursão pela Serra do Gerês, com o objectivo maior: ligar a Touça Às Velas Brancas, pela Corga do Salgueirinho. Finalmente temperaturas baixas como assim deve ser para andar melhor: geada matinal.



segunda-feira, 24 de julho de 2017

No coração do RAMISCAL + Circunvalação.

Após a aventura Palentina, o regresso à faina em terras lusas, superou todas as expectativas de um dia que se queria ambicioso já de si: a circunvalação de um dos mais emblemáticos e valiosos vales do PNPG - Vale do Ramiscal. O objectivo, foi enriquecido com uma incursão ao fundo coração do vale, e a subida aos topos circundantes, bem como a descoberta de trilhos bem escondidos, e estruturas de outrora bem ocultas da vista humana, não fosse pela curiosidade e arrojo que vivem no peito destes pequeninos. O recurso a estradões foi practicamente nulo e a subida total do dia, foi básicamente equivalente a trepar na vertical desde o nível do mar, até ao cimo do norte de Portugal, o Pico da Nevosa.   Um dia perfeito de montanha e comunhão com a natureza. Um reino verdadeiramente encantado, onde o nosso melhor amigo foi o vento fresquíssimo que nos entrava pelas goelas abaixo até aos pulmões,  e mais além...até à alma.

Abraço a todos e boas aventuras.

Distância percorrida: 24km
Desnível ascendente acumulado: 1500m
Altitude máxima 1368m(Alto de Bragadela)
Alt.mínima 350m


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Montanhas Palentinas - Day Three: PEÑA PRIETA

Neste terceiro dia da aventura Palentina, no Parque Natural de Fuentes Carrionas, o último objectivo consistia na mais alta das três montanhas propostas: Peña Prieta. Anteriormente, as duas últimas publicações deste blog, cobriram as duas primeiras: O Curavacas e o Espigüete. 

2539m de altitude, são respeitáveis, e depois das duas etapas anteriores, o cansaço acumulado, valia pouco em face de uma nova aventura, pelo que, abraçámos esta última etapa, com a máxima paixão, e expectativa daquele que já adivinhávamos, seria o mais bonito percurso dos três. Nesta conquista, fizemos o percurso mais longo até aqui(18km), e claro, em modo circular. Mais uma vez o calor esteve presente, e por isso cedo começámos desde Puerto de San Glorio.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Montanhas Palentinas - Day Two: EL ESPIGÜETE

Se no primeiro dia, durante a missão Curavacas, a imponência del Espigüete, impressionava só à distância, neste segundo dia, à medida que chegávamos mais perto, e a cabeça começava a olhar cada vez mais para cima, a impressão transformava-se numa amálgama de sensações inauditas, que mexiam bem cá no íntimo...se calhar é isto o montanhismo: sobrepor os receios e incertezas e confiar que seremos vitoriosos. Atingir o cume do Espigüete é impressionante por qualquer via, mas pela aresta Este e descer pela face Norte, é algo que nos enche as medidas. Muita boa gente perdeu a vida nesta montanha e a verdade é que, sabiamos que ainda pior do que a valente trepadela contínua,  era o auto-controle permanente durante quase todo o trajecto, imperioso para evitar deslizes fatais; proibido olhar para baixo.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Montanhas Palentinas - Day One: CURAVACAS

Bem cedo de madrugada, os tugas partiram de Portugal, com destino directo ao primeiro objectivo da jornada tri-partida: neste primeiro dia, subir ao cume do Curavacas(2520m), subindo pela rota clásssica e baixando pelo Collado del Hospital. Desta forma, o percurso seria circular, e permitiria aproveitar melhor o dia antes do descanso para o segundo, e mais difíçil dia. Estacionamos em Vidrieros, uma povoação pequena mas simpática, limpa e com café confortável, que nos permitiu "hablar" com alguns locais, ao fim do dia.