Neste dia de dezembro em que o frio invernal finalmente chegou em força, este desafio de calcorrear as margens do fabuloso Bestança, desde a foz junto ao Douro, até às Portas de Montemuro onde nasce, foi cumprido. Mais de 1700m de desnível por muitos dos mais belos caminhos portugueses, e da belíssima banda sonora que nos acompanhou sempre, num vale selvagem, cheio de surpresas e intensa beleza onde um rio nasce como morre...limpo e livre.
O Bestança é um amor antigo. Desde que me foi dado a conhecer a sua existência pelo Berto, voltei lá mais vezes, esta foi a quinta, tendo sido a última, um reconhecimento dos primeiros km até a primeira travessia. O desejo de percorrer todo o vale, junto ao rio, é um objectivo difícil, dado o desnível a vencer e também descobrir caminhos antigos que permitam a passagem junto ao rio. No estudo de casa, não havia registo nenhum deste traçado integral. Também acresce à dificuldade deste desafio, a necessidade de se ter de atravessar o rio a vau muitas vezes, sendo que as duas primeiras pela largura do caudal são mais complicadas, e neste dia, com as temperaturas muito baixas, mais ainda. Para tal, as nossas mochilas iam mais carregadas do que habitualmente.
Sem divagar muito e resumindo-me ao essencial, este dia em que nas portas de Montemuro, pouco depois das 17h, e com temperatura negativa, celebrámos, esta aventura, que ficará na nossa retina fácilmente como um dos percursos mais bonitos que fizémos até hoje; a beleza deste rio, caminhos e bosques é intensa e permanente desde o primeiro passo.
Os passadiços que percorremos, provam que manter os caminhos antigos, é mais barato e incomensurávelmente mais bonito do que construir estruturas megalómanas. Esta mania de introduzir artificialidades inúteis em sítios bonitos tem de acabar. É preciso respeitar os espaços naturais e educar para a apreciação do sábio esforço dos nosso antigos e das gentes destes locais que ao longo de séculos construíram passagens bem enquadradas.
Caminhar na natureza é um benefício enorme: felicidade barata e poupança em médicos e psicólogos.
Um obrigado ao Rafael Matos pela ajuda no reconhecimento, e claro, um enorme obrigado ao idealista desta ideia ambiciosa que agora se concretizou, o Alberto Pereira.
Que estas imagens indignas de descrever tal beleza, possam estimular os leitores á aventura na natureza e a nós, nos recordarmos mais tarde, que este foi um dia bom, muito bom.
Obrigado às nossas famílias e viva o Mundo da Alma.
GO HARD OR GO HOME
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