segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

LAROUQUINHO: O CONGELADOR

Aventura por terras barrosãs, para subir desde a bela aldeia de Gralhas(1000m) até ao Larouquinho(1535m), o terceiro mais alto cume de Portugal continental, apenas uns metros mais baixo que o Pico da Nevosa, o mais alto do Norte de Portugal e da Serra do Gerês. Esta montanha é fácil de subir ( mesma sem carro) por isso, neste dia que escolhemos para a trepar, acreditámos que o desafio seria muito maior pela possibilidade de haver neve e frio. Um percurso evitando todas as estradas, circular de 14km.

Dificuldade nestas condições? vejam por vocês...




Chegando a gralhas, já se percebia algo do frio que íamos encontrar...o alcatrão estava branco...A temperatura de início marcava zero graus. À medida que vencíamos o desnível de 500m,  era óbvio que o manto de gelo branco se adensava e a temperatura batida a vento muito forte, descia vertiginosamente. Na zona dentro das nuvens já perto do cume, onde a temperatura seria negativa sim, mas, com o vento implacável que nos fustigava, o mercúrio
 iria para muitos negativos ao ponto de os aparelhos electrónicos se desligarem...o Deus Larouco não nos recebeu de braços abertos, não neste dia...

Dentro do manto cinzento de nuvens que envolvia o topo, a mensagem era clara: "saiam daqui...como se atrevem a entrar nos meus domínios?"

A paisagem era absolutamente incrível. Embora tudo estivesse branco, parecia que não seria neve mas sim camadas sucessivas de geada acumuladas, como se tivéssemos aberto a porta de um imenso congelador a brincar com um furacão. Nestas condições, com o vento que era tão forte, tirar a luva apenas por alguns segundos, significava o seu congelamento. Poucos registos fotográficos foram possíveis, e até as varas congelaram...nunca visto.

Depois de conquistar o larouquinho, onde não pudéssemos ficar mais que dois minutos, havia que descer rapidamente e com cuidados. Ter um acidente nestas condições, era absolutamente impensável.

O percurso deste dia, de 14km foi traçado de forma circular evitando todas as estradas e passando apenas por monte. Acontece que no espaço de poucos anos, o mato tomou conta de muito mais área, o que dificultou a progressão na chegada ao cume e também na descida, agravado por estar tudo gelado. O abandono destas regiões é cada vez mais visível. Sítios muito belos, e campos férteis, sem uso, caminhos seculares obstruídos...

Cerca de 250m de desnível abaixo do topo, finalmente conseguíamos sair do manto cinzento e agora a aldeia aparecia à distância anunciando que a prova estava quase superada, e, apesar de o frio continuar bem presente, pelo menos já não era extremo, ou seja, entre 0 e -5. Chegados ao carro antes das duas da tarde, cumpridos os 14km, ficámos com a sensação magnifica de saborear aqueles momentos de paz, longe da fúria do Deus Larouco, degustando agora, aquilo que não nos foi permitido lá em cima...um pouco de comida, frugal que soube a banquete. Acabou mais esta aventura...venha a próxima.

Abraço ao cúmplice habitual, o Alberto Pereira(TRILHOS A NORTE), pelas fotos, pelo percurso, pela fibra, e...pela amizade. As dores e alegrias vão sendo sulcadas, e hoje foram bem fundo. 

Go hard...or go home.

Abraços e bom 2018
























































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