sexta-feira, 7 de julho de 2017

Montanhas Palentinas - Day Two: EL ESPIGÜETE

Se no primeiro dia, durante a missão Curavacas, a imponência del Espigüete, impressionava só à distância, neste segundo dia, à medida que chegávamos mais perto, e a cabeça começava a olhar cada vez mais para cima, a impressão transformava-se numa amálgama de sensações inauditas, que mexiam bem cá no íntimo...se calhar é isto o montanhismo: sobrepor os receios e incertezas e confiar que seremos vitoriosos. Atingir o cume do Espigüete é impressionante por qualquer via, mas pela aresta Este e descer pela face Norte, é algo que nos enche as medidas. Muita boa gente perdeu a vida nesta montanha e a verdade é que, sabiamos que ainda pior do que a valente trepadela contínua,  era o auto-controle permanente durante quase todo o trajecto, imperioso para evitar deslizes fatais; proibido olhar para baixo.







 O Espigüete, é o mostro branco. A sua pedra "Caliza" distingue-o bem à distância. O primeiro a subi-lo, foi em 1854, Cassiano de Prado.

Ainda com o Curavacas na cabeça e no corpo, desde o dia anterior, e após termos descansado o possível, bem cedo e pela fresca atirámo-nos ferozmente ao segundo objectivo: 1315m de declive ascendente em cerca de 4km, até atingir o cume a 2451m de altitude. Dureza. O tpc estava feito, mas...a realidade é soberana, impondo-se sempre além do imaginário. Desde os primeiros passos é sempre a subir, sempre até ao cume. Apesar de ser das três montanhas planificadas, a mais baixa, ainda que por poucas dezenas de metros, esta sra foi aquela nos encheu as medidas e nos fez subir a fasquia pessoal. Descer não foi menos uma proeza do que subir, o declive que fizéramos em 4km para vencer 1300m, agora teríamos de fazer para baixo em cerca de 2km de cascalheira. Nas descidas ocorrem mais acidentes. O local onde parámos para comer algo, era quase vertical, e a cada dentada havia que controlar o corpo para não se inclinar. Impressionante.





 A subida ao Espigüete pela aresta este e descida pela face norte, aconselho que apenas pessoas em boa forma o façam, e que tenham experiência de montanha e equipamento de protecção. Levar uma corda e capacete é precaução elementar. Algumas passagens, são íngremes e exigem escalada, e psicológicamente, toda a aresta até ao cume não se aconselha a pessoas com vertigens,...a descida pode ser até pior; Atenção. As cimas, ou buracos fundos, existem e devem ser objecto de precaução , especialmente em subidas invernais. Mas isso...é outro campeonato. Andar na aresta com alguns locais de um metro de trilho em largura, com um km de verticalidade para um lado e para o outro, poderá ser andar mesmo a pedi-las.









































 Neste dia de calor, o segundo, a chegada à Cascata Mazobre, que se precipita da Majada Cimera durante uns bons 20m foi um prémio merecido e refrescante. O refúgio ali perto é um dos melhores que já conheci e mais bonitos também.











O Espigüete estava conquistado pelos tugas, e agora, depois de um bom descanso, iríamos trepar a mais alta das três, e talvez a que oferece o percurso mais belo. As imagens não enganam. O Prieta é uma pérola das Fuentes Carrionas. Mas sobre isso falarei no próximo capítulo deste blog.


No fim desta segunda jornada, fiquei seguro que bem mais que o aspecto físico, é o lado mental que nos diferencía, que nos dá capacidade de transcender o desconhecido e o difícil. Graças a ele, os medos são apertados para um tamanho suportável e a capacidade de focar nas soluções, aumenta. Um dia para lembrar por muitos e muitos anos. Venham mais. Obrigado companheiros de aventura. Esta montanha é seguramente mais difiçil do que muitos 3000 "miles" por ai fora. Verdadeiramente montanheira.

Infelizmente, durante os três dias, não consegui tirar quase nenhuma foto, excepto na subida ao Espigüete, mas chegado ao cume fiz o favor de partir a lente. Sem smartphone que já estava avariado da Tugalândia e sem máquina, quase todas as fotos que vêm aqui nesta aventura Palentina são cortesia do Berto e do Jorge...Gracias amigos.

Trilhos a Norte
Cabra do Gerês
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