quinta-feira, 6 de julho de 2017

Montanhas Palentinas - Day One: CURAVACAS

Bem cedo de madrugada, os tugas partiram de Portugal, com destino directo ao primeiro objectivo da jornada tri-partida: neste primeiro dia, subir ao cume do Curavacas(2520m), subindo pela rota clásssica e baixando pelo Collado del Hospital. Desta forma, o percurso seria circular, e permitiria aproveitar melhor o dia antes do descanso para o segundo, e mais difíçil dia. Estacionamos em Vidrieros, uma povoação pequena mas simpática, limpa e com café confortável, que nos permitiu "hablar" com alguns locais, ao fim do dia.






 A imensa parede do Curavacas não engana: adiante teríamos de suportar um declive em ascensão de cerca de 1250m(acumulado 1458), com temperaturas elevadas. Acresce, que a verticalidade aumenta à medida que subimos, até rondar os 75%. Tudo se conjuga portanto, para que a chegada ao cume seja libertadora e inesquecível. Para quem está mais habituado às nossas caseiras montanhas(belas também), as ordens de grandeza alteram-se, e isso é estimulante e até algo assustador, mas... é mesmo para isso que viemos, não foi para dar um giro no parque da cidade.


A subida não tem muito por onde enganar, não fosse a cascalheira que é preciso sobrepor, o ritmo seria bem maior.







 Já não muito longe do cimo, um belo exemplar canídeo vinha a descer, e, após receber um pouco de água da nossa parte neste dia de calor, juntou-se a nós por todo o resto do percurso, voltando a subir, e até ao carro foi fiel companhia, de quando em vez, perseguindo vigorosamente os rebecos e corsas. Rez, o cão de um dos habitantes da aldeia, que nos foi dito, sobe muitas vezes o Curavacas na companhia dos montanheiros. Quando arracámos, de carro, ele ainda tentou seguir atrás...
















 Lá mais por cima, começamos a estar rodeados de rapinas, e lá perto do cume, os rabecos, conscientes da segurança que lhes dá o abismo que nos separa deles, embora apenas por uns poucos metros, não fogem da nossa presença, e pudémos admirá-los e a suas crias com plano preveligiado, muito de perto.




 Daí ao cume, pouco faltava, a verticalidade é assombrosa, mas não propriamente difíçil. O cume, permite avistar os picos da europa, o Espigüete, o Prieta, o magnífico vale do Rio Carrión(Valle de Pineda) que nasce perto do Cume do Prieta, um vale imenso, enfim, o Parque de Fuentes Carrionas... maravilhoso. Antes da partida, um pouco da história do montanhismo neste agora Parque Natural, contava-nos dos Faquires, três montanheiros que tentaram a subida invernal pela face norte e perderam a vida. O seu intento está aqui bem documentado: https://www.youtube.com/watch?v=y7Hvut8WxEM. A primeira ascensão fora no entanto em 1947, pela Senda del Notário. Vários montanheiros perderam a vida nesta montanha, que conta com uma das maiores "cimas" das montanhas Palentinas: 322m.





em cima: Pico del Medio e Pico Oeste, os irmãos do cume do Curavacas

em cima:(Mojón das Três Provincias, Pico dos Infernos e Peña Prieta)

 A rocha nesta montanhas é um aglomerado negro-esverdeado, que aparenta ter estado submerso em outras eras. O resultado é um misto de beleza sinistra, e que em algum troços se provou ser de dificil progressão, dada a quantidade de seixos que emergem das paredes, e se por baixo os precipicios aguardam, há que ter cuidado onde se põe as botas.




em cima:El Peña Espigüete desde o cume do Curavacas

























Para primeiro dia, não estava mal: de acordo com um local, o Curavacas atinge os 2520 independentemente do que dizem as fontes oficiais: 2524m. Ao fim do primeiro dia, fomos a uma merecida caña, no bar local e de regresso ao local de pernoita, Velilla, pudémos avistar esse monstro que nos esperava no segundo dia, El Peña Espigüete...mas...agora descansar. Esta região está repleta de cumes, e muitos acima dos 2000m, cumeadas fantásticas e novos desafios a conquistar.

Distância percorrida: 12km
Delclive acumulado ascendente: 1458m

Aos meus companheiros de aventura, o meu abraço saudoso e o meu obrigado.

Alberto Pereira: Trilhos a Norte
Jorge Gouveia: Cabra do Gerês
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