segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Verão no Gerês? Tapar os olhos e esperar que passe...

Serve este post para reportar o ambiente que se vive naqueles locais talvez mais populares do Gerês: Fecha de Barjas, Caniçada, Cascata do Arado, e, claro, Portela do Homem, na esperança de que alguma pedagogia possa ser retirada e alguns mitos também.

Todos estes sítios foram visitados durante uma tarde, a do primeiro dia de Agosto de 2016, e que calhou ser este ano, uma segunda feira.

Para quem, gosta de montanha e particularmente do Gerês, sabe que os meses quentes, são geralmente, de evitar. Na montanha, o calor é duro de suportar, e naturalmente, estamos no direito de pensar que alguns dos sitios anunciados como "paradisíacos", possam resolver o nosso problema nesta época...hmmmm...provavelmente não. Se gosta de pouca água, muita gente por metro quadrado, perigo e muito lixo, então, muito bem...aproveite.


A Fecha de Barjas, local perto da aldeia de Ermida, engloba todos os anteriores adjectivos. O cenário, neste dia, era de muitas dezenas de carros estacionados pela estrada fora e no pequeno parque que ali foi improvisado num lameiro particular(2euros/carro). À face da estrada um aviso à navegação: ZONA DE ACIDENTES MORTAIS - PERIGO DE QUEDA NO RIO - ACONSELHAMOS A UTILIZAÇÃO DE ZONAS DE BANHOS DEVIDAMENTE PREPARADAS PARA O EFEITO. Ora, aqui eu já tirava algumas conclusões, sendo a primeira de todas a de que, nunca traria para aqui crianças; acontece, que crianças não faltavam por ali, bem pequenas algumas de 4 ou 5 anos de idade, deitadas junto a precipícios e com tantos locais perigosos, até para adultos, com tanta gente junta, as probabilidades de acidentes aumentam. Recentemente alguém se magoou por lá com gravidade, e muitos mais acidentes terão acontecido. Pergunta-se: porquê levar crianças para este sítio? Resposta: não sabem ler e/ou apesar de terem trazido o protector solar, deixaram o maior protector em casa: o senso comum/respeito pela natureza. Segunda conclusão: acho, mas isso é apenas a meu entendimento, que o sinal à entrada que transcrevi acima, nos está, realmente a dizer, VÃO TOMAR BANHO PARA OUTRO LADO, porque na verdade, por ali não ha zonas de banho devidamente preparadas para o efeito. Mas pronto...
Estimo que neste principio de tarde, segunda-feira e nem sequer era prime-time, que deve ser mais lá para as 16/17h, estivessem por ali, umas duas centenas de pessoas.

Actualização: dois dias depois deste post ser pubicado: http://www.jn.pt/local/noticias/braga/terras-de-bouro/interior/queda-em-cascata-no-geres-causou-ferido-grave-5320601.html







 Muito perigoso(em cima)























Na cascata e ponte do Arado, o cenário era algo diferente. Depois da recente morte e acidente grave com uma menina, a publicidade talvez tenha afastado alguma gente dali, mas mesmo assim, havia muito carro estacionado, e se querem a minha opinião...não vão lá procurar banhos, porque o rio ali está desoladoramente seco. Corre muita pouca água, a mesma que acumula na fecha de Barjas. Um rio de calhaus. No miradouro ao cimo das escadas(agora reforçado com protecção lateral), podem ir ver a cascata, mas...ela não existe. Secou prácticamente. Alguns afoitos, foram até ao cimo desta tomar banho numa poça muito pequena, a beirar um precipício de muitos metros...bestial. Sinceramente não entendo. Pela água não punha lá os pés, Se fosse para ir a piquenique, ainda vai que compreenda pois a mata pode dar sombra. O estradão ali é de terra batida, e os bólides estão sempre a passar de gás para levantar pó...paraíso.

















Portela do Homem - Rio Homem. Na portela, muitas dezenas de carros estacionados, tantos, que pela estrada fora havia também; sinal claro da quantidade de gente que deambulava por ali em romaria, estrada acima e abaixo. Junto à entrada para o estradão dos carris, duas viaturas paradas: uma da GNR e outra do ICNF. Quatro agentes estavam por ali a conversar. O assunto era a interdicção de veículos no estradão, também se estender, segundo eles, a bicicletas. Adiante, muita gente, lixo ao longo do caminho, mas nada de tão grave quanto na Fecha de Barjas. Antes de subir das pontes da Caniçada para a serra, parei no posto de turismo e perguntei(a propósito de um episódio com dois indivíduos que tinham pedido informações aqui, neste posto sobre as Minas dos Carris, e encontrei lá, perdidos), ver (post anterior), perguntei se havia um percurso para as Minas e se era preciso autorização. Respondeu a funcionária que não eu podia fazer esse trilho sem autorização, e que devia dirigir-me ao  posto do PNPG na Vila do Gerês. Até aqui tudo bem, mas quando pergunto, a mesma coisa aos agentes estacionados no início do estradão, a resposta foi ligeiramente diferente: Perguntei eu: reparei que estas pessoas todas estão a seguir por este caminho que julgo saber acaba nas Minas dos Carris. Se eu quiser fazer o percurso até lá, tenho de ter autorização e se sim a partir de onde?
Resposta: bem, se quiser ser mesmo rigoroso, tem de ter autorização, a partir de 150m para cima e durante 4km, mas, se for às minas por outro sítio, então não.
Portanto, pelo que ouvi e senti, não é preciso realmente autorização, e se fosse preciso, tinham de estar a multar as várias dezenas de gente, que anda por ali vários km a procurar lagoas, ou seja, bem mais que 150/m  acima de onde estava eu, e ocupar boa parte da ZPT Zona de Proteção Total, o que, levanta outra questão interessante. o que é que há naqueles 4/km que torna esse trecho tão especial ao ponto de ser ZPT, e para lá disso não. Sim, porque quem conhece a serra para lá dos 4/km acima da ponte, sabe que o valor ambiental é tal e qual o anterior.

Devo realçar no entanto que no primeiro dia de agosto estivessem por ali  agentes da autoridade. Isso deve fazer alguma diferença nos comportamentos dos visitantes. E já que é  ZPT apenas 150/m acima, então nesta altura devia haver um batalhão de agentes.

VÍDEO
https://www.youtube.com/watch?v=AU35JTAMV5Q&feature=youtu.be






















A Caniçada é a Caniçada. Muita gente e confusão ,mas pelo menos é albufeira grande e com espaço dentro de água, porque na estrada, nem pensar. Parece o passadiço do Paiva, esse atentado à integridade da natureza.

Conclusão: I love Gerês, but...not this paradise please.
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