segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Alvão Branco de Neve e os quatro Anões.

Arnal-Barreiro-
-Barragens-Arnal

Distãncia: 19km








Ainda não refeito de dias antes, ter sofrido uma das maiores provações de que tenho memória nas Minas dos Carris, com quase 20km de ininterrupta chuva gelada, vento e frio, e já me estava a acordar do "pesadelo", na aldeia de Arnal, a cerca de 900m de altitude, com os lameiros nevados e a colocar as polainas numa paragem de autocarro abrigada. Os meus companheiros também estavam ainda a contas com maleitas de saúde invernal, o que não nos impediria de abraçar esta causa. A chuva embora agora fosse apenas de "murrinha" nunca iría parar até ao fim da jornada, e na parte final, a seguir à passagem pelas barragens, sería daquele tipo de chuva que empurra o grupo rápidamente, para o termo da actividade.

Neve neve neve e mais neve. Neve era a palavra de ordem, e a aspiração maior do caminheiro apaixonado. Logo que nos equipámos para o dia, deixámos a aldeia para trás subindo para a serra, completamente pintada de branco, e num cenário de idílico prazer, fomos relaxadamente convivendo, e apesar da neve, a temperatura sentida, era bastante agradável. O objectivo era agora alcançar a aldeia de Barreiro, e para isso atravessámos bosques de magia, lameiros, serra descampada, luminosidades raras, pendentes de gelo, enfim.... uma mistura vitoriosa. Todo o dia não houve sol, o que pode dar a ideia de ter sido menos interessante, mas na verdade, estarmos sempre envoltos em nevoeiro, ainda que permanentemente abraçados por algo estranho, a verdade é que sentimos sempre esse abraço, e o mistério aumenta a cada passo dado.

Chegámos a Barreiro, completamente envolta em névoa, e os espigueiros deram as boas vindas. Agora, era necessário encontrar local abrigado para merendar, e dado que não havia café local, tivémos de utilizar um alpendre que uma amável sra. nos facilitou e que foi ouro, naquele momento. 

Depois de refazer o estômago, botas ao caminho pela serra dentro, na direção das barragens; ainda uma estirada pela frente. Que maravilha para os olhos esta serra pintada. Brincadeiras aqui e ali, como era de esperar, ninguém ficou impune a levar uns balázios de neve nas costas ou pior.

Avistámos cegonhas negras na barragem e no meio da penumbra pudémos vê-as a descolar como aviões, por cima das águas. Depois foi o regresso mais acelerado pela chuva, agora mais pesada, que não permitia o usufruto das vistas,  começava a fazer-se sentir nos corpinhos. 

Foi um dia memorável, um hino ao montanhismo e à amizade, e usufruto da natureza. Agradeço em especial ao Alberto Pereira, que nos sugeriu e guiou, neste percurso de cerca de 19km. Era isto ou...ficar em casa a tossir...

(foto acima, cortesia de Alberto Pereira)
















































foto em cima cortesia do blog www.trilhosanorte.blogspot.com
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