sexta-feira, 4 de março de 2016

A história da Serrra - Ricardo Jorge, médico, investigador, higienista e porque não... caminheiro?

Ricardo Jorge, e a sua ligação ao Gerês, despertaram-me a curiosidade por uma leitura casual nas páginas de um livro sobre Terras de Bouro. Na satisfação  da curiosidade deste desfiar do novelo, verifiquei, ter sido este homem, de nome conhecido (Instituto Ricardo Jorge), um companheiro de amor pela serra do Gerês e sua região, e um impulsionador do termalismo das águas do Gerês que considerava, das mais ricas para a saúde do mundo conhecido.





Alguma investigação depois, verifico que várias sítios na internet abordam esta temática, incluindo, o blog Carris, onde ao preencher no seu próprio campo de busca, o nome desta personalidade, vários posts podem ser vistos.

Também não perderei muito tempo expondo a sua biografia que pode ser consultada aqui.

Tentarei apenas sintetizar e acrescentar alguns dados que não vi ter sido publicados em outros sítios.

Ricardo Jorge, nascido no Porto, em 1858, filho de ferreiro, era médico, higienista, investigador, e um homem que vivia o seu conhecimento no terreno, ao invés das quatro paredes: "Via-se pela primeira vez um professor de uma escola superior vir a terreiro, sem rodeios, nem presilhas, (…) pôr ao léu as pústulas fedorentas do reino cadaveroso (…) e organizar a instrução nacional em moldes europeus" (Eduardo Coelho, em 1939)



Teria sido Ricardo Jorge o responsável nos anos vinte, pela proibição da Coca-Cola em Portugal (só 50 anos depois levantada), tendo alegadamente ordenado a sua apreensão e destruição depois de tomar conhecimento do slogan publicitário da bebida criado por Fernando Pessoa: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se".

Começou a sua ligação ao Gerês, depois de ter conhecido dos efeitos das àguas do Gerês na doença de um colega, o Dr. Gramaxo. Tanto foi o seu interesse nisso, que fez diligências para obter a concessão das termas, nessa altura, denominadas poços, e que ainda não tinham qualquer tipo de desenvolvimento. Considerava estas águas o «tesouro hidriátrico mais precioso da Europa, se não do mundo». Acabou por ser Director clínico nas termas, de 1889 a 1292. 

Chamava ao Gerês: "o paraíso dos doentes e dos ociosos sãos." 

A serra «é de uma excepcional riqueza; é a região portuguesa mais curiosa e original em espécíes histórico-naturais. A vegetação arbórea  (...) e de uma opulência e de um vigor surpreendente; nenhuma outra do país se lhe aproxima sequer».  Não esconde o deslumbramento em face do «maciço do Gerês abraçado pelos rios Homem e Cávado e pegado pelo Sul à serra da Cabreira e pelo Norte à de Lindoso e Suajo». Chama a atenção para «o tipo especial da flora e a curiosidade da fauna», a cabra-montês, o javali, o lobo e a águia-real.  Detêm-se nas singularidades da paisagem, «a lombada agreste da montanha», «os jactos de água que por todos os lados se precipitam», «o plaino verdejante que o rio (Caldo) fertiliza, ora represado em lagos, ora despenhado em açudes».     

Tem descrições dos itinerários a percorrer. Recomenda passeios a  Pedra Bela, Cabril, Borrageiro e Cantarelo. Transmite-nos «a grandeza imensa, a enormidade das alturas». Incita-nos a andar a pé, para fruir,  no contacto com a serra, «a sensualidade mística que se desprende de uma vida exuberante e libérrima».  

Este nosso camarada de trilho, conhecia o Catarelo, Borrageiro, etc. Pois bem vindo ao clube. Como curiosidade, fica a partitura de um tema recolhido pelo próprio e que integra o Cancioneiro de músicas populares, apenas demonstrativa da sua forte ligação a esta região.

A par disto, reconheceu que a serra «de uma Orografia Complexa e caprichosa e de uma textura simples. A terra Vegetal forma a sua epiderme, ora rota pelas penedias, ora engrossada em grandes tractos, dando pasto a uma vegetagéo luxuriante».  A serra «é de uma excepcional riqueza; é a região portuguesa mais curiosa e original em espécies historico-naturais. A vegetação arborea (...) e de uma opuléncia e de um vigor surpreendente; nenhuma outra do Pais se lhe aproxima sequer».  Nao esconde o deslumbramento em face do «maciço do Gerês abraçado pelos rios Homem e Cavado e pegado pelo Sul á serra da Cabreira e pelo Norte à de Lindoso e Suajo». Chama a atenção para «o tipo  especial da flora e a curiosidade da fauna», a cabra-montés, o javali, o lobo e a aguia-real.   
(Terras de Bouro na HIstória e na Cultura)

Ricardo Jorge publicou dois livros notaveis: O Gerez Thermal — História, Hydrologia, Medicina (1888) e Caldas do Gerez, Guia Thermal (1891). Demonstrou que o Gerês, "irmana-se pela sua quota residual e  simplicidade aparente, com as águas de mais nobreza hidrológica da  Alemanha, Franga e Espanha". A par disto, reconheceu que a serra <é de uma excepcional riqueza; é a região portuguesa mais curiosa e original em espécies histórico-naturais
. A vegetação arbórea (...) é de uma opulência e de um vigor surpreendente; nenhuma outra do país se lhe aproxima sequer».

Enfim, da próxima vez que visitar a campa da minha mãe no cemitério de Agramonte, no porto, hei de prestar homenagem, também a este homem valoroso, cujos passos, certamente já cruzaram trilho com os nossos, e cuja biografia convido a lerem. 

Como diria um amigo, vénia Ricardo Jorge.




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