segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sistelo - Pedrinho - Branda das Gémeas - Sistelo

Percurso circular
Ponto de Partida: Sistelo
Condições metereológicas: muito frio, muita neve, muito nevoeiro, algum vento e alguma precipitação em forma de neve.
Dificuldade: muito elevada
Distância total: 19,7km
Desnível acumulado: 1179m
Alt mín: 251m
Alt máx: 1376m
Duração: 9h25m






O objectivo deste dia era tocar o cume da Serra da Peneda em dia de neve, partindo muito mais abaixo, da belíssima aldeia de Sistelo, junto ao Rio Vez. Mesmo sem neve, sería um trilho duro, dado o desnível acumulado e a distância, mas neste dia especial, o volume de neve, era tanto, que mesmo um tipo alto como eu, por vezes afundava até à cintura. Os últimos km antes do cume foram assim. E a gestão da temperatura era essencial, exigindo um ritmo de caminhada enérgico e seguro. A acrescentar ao desafio, uma vez entrados no reino do nevoeiro, não mais este, haveria de desaparecer, antes de novamente baixarmos para cotas abaixo dos 900m. A visibilidade rondava os 30/40m. Nestas condições, a capacidade de orientação é totalmente posta à prova.


Foi portanto, para o caminheiro/montanhista apaixonado, um desafio pleno de exigência e muita recompensa. De encher as medidas.







Esta região é conhecida pelas brandas que a certas altitudes permitiam aos locais, desenvolver actividades de pastoreio aproveitando o tempo mais quente. Pequenas aldeias, ou conjunto de casas especiamente usadas sazonalmente, a partir de Março até ao Outono. Neste dia foi possível ver várias: Covelo, Gémeas, Alhal, Lamelas, Bouçinhas. As primeiras brandas já se encontravam com neve.



Bosques encantados





Mas por muito que a malta goste de brincar na neve e espoliar-se como criança pequena, chega o momento de desejar tomar algo quente e reaquecer-se um pouco. Felizmente neste percurso há dois abrigos muito convidativos. O primeiro(Abrigo da Chã do Abade) foi utilizado para um chá e snack, e o segundo para almoço(Abrigo da Cerca).



Acabado o snack, siga monte acima para o local de almoço. Aqui a progressão já era mais difíçil, e seguramente várias vezes desejámos ter raquetes montadas nas botas.


Aquilo parecia surreal...Céu e chão eram apenas um, tudo branco.


Apesar destas condições, o espírito era sempre de muita boa disposição, admiração e determinação.

O abrigo da Cerca, estava quase coberto de neve na parte posterior...





Lá dentro, estava-se relativamente bem e o fogareiro tratou do resto. Massa quentinha com bróculos e lentilhas, com piripiri. Nice.

Junto às alminhas apontámos ao Pedrinho






Agora, preparados para atacar o cume, vinha o desafio maior. Neve muito alta, de 50cm a um metro, tornava a progressão lenta. Ao fim deste esforço, o marco do Pedrinho, estava engalanado para receber os peregrinos...a quase 1400m de altitude. Que visão e sentimento de conquista...



A descida, sería agora ainda mais difíçil. Perfil mais acentuado de declive. e mato. Objectivo, era chegar à Branda de Covelo e Gémeas.

Um belo esforço mais para lá chegar, ainda no reino da neve e nevoeiro. 






Agora, abaixo do nevoeiro, uma nova etapa visual. a descida até Padrão e Sistelo.

Pelo caminho alguns locais, simpáticamente perguntavam onde tinhamos ido...quando ouviam a palavra "Pedrinho", soltavam uma exclamação incrédulos, e de imediato mostrava-se a imagem do marco para nos certificar. Muito agradável conversar com esta gente.
















Última palavra para os companheiros de jornada, com quem tive o prazer de partihar tanta intensidade de sensações e visões, e sem os quais este dia não teria acontecido nesta belíssima região deste nosso belo país à beira-mar plantado, mas com montanhas riquíssimas.

Aquele abraço.













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