segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Travessia Invernal (Parte 1)

altitude máxima 1413
atitude mínima  688
distância percorrida: 25km
Duração 9h






 


(Vídeo da chegada a Pitões das Júnias)


"Travessia", a palavra que excita tanto quanto, mete respeito, especialmente se acrescentarmos "invernal". Atravessar a serra de uma ponta a outra, é sempre especial. Especial, porque de uma só vez, conseguimos passar os olhos por muitos cenários díspares; é intenso para os sentidos. 





Esta actividade, préviamente autorizada, e em que guiei um grupo de bravos amigos de Santa Eulália, Vizela, foi contrastante em muitos aspectos, dos quais refiro apenas alguns: 

Em termos metereológicos, o dia começou com a aldeia de Pitões das Júnias completamente pintada de branco, e apesar do frio, o céu mostrava algum sol. À medida que progredíamos, o piso oscilava entre neve, molhado, e também seco. Vento norte com frio é má combinação para o caminheiro, e ora vinha de lá ele, ora se ía embora, sempre a jogar às escondidas. Por vezes uns tímidos flocos de neve desciam a decorar a pintura, até que perto do Curral das Lamelas, a timidez deu lugar a pura violência. 

Tendo começado, infelizmente tarde(passava das 9h30), a actividade fica logo a partida condicionada pelo fantasma da noite, esse personagem que mete medo. Sendo assim, o afã de chegar em tempo útil, sobrepôe-se ao de contemplar e saborear o pitéu na boca. Poucas fotografias tirei, em virtude disso. Andar, andar, andar. 




Até S.João da Fraga, que não subimos, mas contornámos, a paisagem era de sol e beleza serrana a rodos.

Chegados ao ribeiro que vem da Corga do Tulha para engrossar o Ribeiro do Peredo, deparámo-nos com o primeiro obsctáculo à progressão: impossível de atravessar, sem ter de molhar os pés. Na verdade molhar os pés até seria simpático de dizer, molhar muito mais que isso era realista dada a força da corrente. Para montante havia vegetação densa, e depois de bater a zona a jusante à procura de sítio viável para atravessar, decidimos atravessar no sítio melhor que havia e que era mesmo assim mau, não fosse, eu ter trazido de casa algo que normalmente não trago para o monte: corda de escalada. Ao trabalho; amarrámos a corda entre duas árvores e um a um todos os participantes saltaram o salto da fé, com uma mão na corda e outra para o braço do que tinha passado primeiro( o guia pois claro) e não fosse a corda banhos gelados teríam havido, garanto.

(foto:Paulo Gomes)(A travessia dentro da travessia)

Depois, em direcção aos Cornos de Candela, o piso começava a mostrar muita água, charcos, neve, enfim...só para quem esteja bem equipado, porque pés secos é outra coisa. Os caminhos de pé posto, trasnformam-se em algo novo, por vezes até difíçeis de identificar. Esse é um dos aspectos paradoxais da montanha...ela gosta de se vestir de forma variada, e nunca temos a certeza do que nos espera...



Para mim, chegados ao cimo perto dos Cornos de Candela, entramos sim, verdadeiramente na Serra mais profunda. Aqui não há estradões, e a toda a volta vemos nada mais do que serra e mais serra, e podemos avistar o cimo da serra mais alta do norte de Portugal, o Pico da Nevosa, que neste dia estava imerso em nuvens, ao contrário do resto da serra. Mau prenúncio.

To be continued...


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